Publicado no Jornal da Manhã em 25/10/2025.
O livro “A
conspiração Lava Jato – o jogo político que comprometeu o futuro do país”
(Editora Contracorrente, 2024), de autoria do jornalista Luís Nassif, esmiúça a
nova realidade avassaladora, mas que ainda hesitamos enxergar: o efeito da
denominada “nova ordem mundial” no
Brasil.
Muito se tem debatido sobre a “nova ordem mundial”, há vários livros a respeito. Para Luís Nassif,
a Operação Lava Jato foi o instrumento para submeter o Brasil – um país então
com um governo independente e que acabara de descobrir o petróleo do pré-sal –
aos ditames do novo arranjo, que já se iniciara mundo afora com as “revoluções
coloridas”, como a “primavera árabe” e o “euromaiden” ucraniano. Países com
tendências nacionalistas e com o sonho de independência e soberania não podiam
escapar ao arranjo que tem a pretensão de ser um império hegemônico. Sobretudo
o Brasil, um país continental, com um significado geopolítico estratégico no
chamado Sul Global. Desde a arapongagem de governos e governantes, a reativação
da 4ª Frota dos EUA, o roubo de computadores com dados sigilosos da Petrobras, o
aliciamento dos procuradores e juízes da Lava Jato, as mentiras e demonizações
da mídia corporativa, finalizando com os golpes que levaram à eleição de um
governo servil, tudo foi minuciosamente planejado e executado para atingir o
objetivo: subjugar o Brasil, desiludi-lo do sonho de liberdade, grandeza, soberania
e justiça social.
Na “nova ordem mundial” – resultado inevitável de séculos
de capitalismo e de décadas de neoliberalismo – o conceito de Estado soberano
não é admitido. Ele é substituído pelo interesse das corporações mundiais, que
controlam tudo o que há de essencial: alimentos, medicamentos, energia,
comunicações, indústria da guerra... As corporações, e os governos já por elas
completamente aparelhados, usam qualquer meio para submeter os governos que não
aceitem seu domínio: desde as lawfares
– as guerras jurídicas das quais a Lava Jato é um exemplo – até os bloqueios,
chantagens e taxações econômicos, chegando às guerras de fato, como na Coréia,
Vietnã, Somália, Iraque, Líbia, Afeganistão, Líbano, Síria, Ucrânia, Palestina
e tantas outras.
Supor que o mercado e as corporações possam equilibrar a
sociedade é uma ideia que os sociólogos sensatos dizem ser absurda. É como
jogar uma matilha de lobos famintos no pasto de ovelhas e deixar que se virem.
Os lobos vão, depois de devoradas as ovelhas, acabar por canibalizar-se a si
mesmos e a destruir o pasto.
O livro de Luís Nassif dedica um capítulo inteiro a discutir
a psicologia de massas de Freud: é ela, agora com os recursos das tecnologias
de comunicação, desinformação e manipulação, que mantém as ovelhas submissas,
conformadas com o destino de serem pasto para os lobos. Ou pior, aliando-as aos
lobos, na crença que serão poupadas, ou até que poderão virar lobos.
Na “nova ordem mundial” destaca-se a China, e seu espantoso
crescimento. Seria ela o símbolo do sucesso do novo arranjo? Ou, ao contrário,
mostra que o caminho da independência e soberania alcança sucesso? Pela sua
grandeza, história e opções políticas, a China é um caso ainda a ser
compreendido. Curiosamente, a mídia ocidental diz que o governo da China é
ditatorial. Mas então é uma ditadura que funciona! Pois a qualidade de vida de
toda aquela imensa população só melhora! Ou, na China, um Estado forte e
soberano está sabendo controlar a sanha insaciável da ambição que é alimentada pelo
neoliberalismo e suas corporações? Os chineses aprenderam como fazer os lobos e
ovelhas conviverem com respeito e em paz?
O Brasil, um país que reúne predicados para ser uma grande
nação, é uma das maiores vítimas da “nova ordem mundial”. Estamos sob ataque.