Publicado no Jornal da Manhã em 06/01/2026.
Dizem os orixás, 2026 vai ser um ano de tensões: disputa
entre os poderes da República, ameaça à paz na América do Sul, copa do mundo de
futebol, instabilidade internacional, eleições... Um ano em que a lucidez, a
compreensão e a amorosidade de cada ser humano vai ser essencial. De cada
brasileiro e brasileira em especial, visto que nosso país ocupa posição chave
nos dilemas civilizacionais atuais.
Que dilemas são esses? São vários: guerras x paz,
cooperação x dominação, justiça x espoliação, narcisismo x empatia, honestidade
x logro, ambição x moderação, espiritualidade x charlatanismo e, talvez o mais
agudo dos dilemas, verdade x embuste. No mundo que vive o colossal dilema do
embate domínio imperial versus o chamado multilateralismo, nosso país passa a
ser alvo de acirrada disputa ideológica, política, econômica, cultural... por
parte das grandes potências mundiais. Especialmente da potência guerreira que
luta para manter-se o império hegemônico no planeta.
Nosso território e população são muito grandes, os recursos
naturais são riquíssimos, a situação geopolítica é estratégica: influenciamos
toda a América do Sul e o Atlântico Sul, produzimos alimentos e minérios para
todo o mundo, temos os maiores mananciais de água doce do planeta – o recurso
que tem sido considerado o mais vital do Século XXI, que é vítima da emergência
climática.
Diante de tudo isso, quais deveriam ser nossos votos para o
Brasil em 2026? Antes do país, vamos pensar no seu povo: que, além da lucidez,
compreensão e amorosidade, tenhamos também a firmeza para resistirmos às
ameaças que virão de fora, na forma das guerras comerciais, jurídicas e
cognitivas, tais como o tarifaço de Trump, a Lei Magnitsky, a Lava Jato e as “fake news” – uma expressão rebuscada
para “mentira descarada”.
Há ainda a ameaça da guerra de fato, a pretexto do
inventado “narcoterrorismo” na América do Sul, e à alegação que o crime
organizado represente uma ameaça terrorista internacional. Na verdade, facções
criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital não são nem
sombra da Yakuza japonesa, da Cosa Nostra e Camorra italianas, da Bratva russa.
Ou do terrorismo das bombas de Hiroshima e Nagasaki, do assassinato do
presidente Kennedy, do criminoso sequestro de Nicolás Maduro, travestido de
“captura”. Há muitas organizações criminosas e interesses internacionais que,
esses sim, deveriam ser combatidos em prol da segurança no planeta.
A lucidez para compreender tudo que está em jogo é
essencial para que o povo brasileiro saiba ter a solidariedade e a firmeza para
manter viva a esperança de um projeto de nação livre, soberana, próspera e
pacífica. Já temos muitos dos requisitos para um feliz 2026 no Brasil: o país
continente pleno de recursos naturais e, sobretudo, a maioria de um povo mestiço
e degredado, fruto de uma história de exploração, crueldade, discriminação e
sofrimento, que, ao longo dos séculos, tem nos ensinado a discernir, e a ver a
diferença que faz a presença ou a ausência da justiça social e da solidariedade
humana.
Talvez o que ainda nos falte, para um muito feliz 2026 no
Brasil, seja romper com o conformismo, o comodismo e a leniência, e engajar-se
de vez no fortalecimento da democracia e na construção da nova realidade, mais
justa, harmoniosa e pacífica.
Perfeito 👏👏🌹
ResponderExcluirIgualmente Mário. Sabe que numa sociedade onde nunca se fala ou se educa , em qualquer nível escolar, a ética...é bem possível que o embuste seja normalizado. Onde o sentido de pátria é distorcido é bem possível que aceite-se o embuste...abraço fraterno
ResponderExcluirMário! Que texto perfeito! O sequestro de Maduro desperta medos de outrora. Que a senhora dos ventos, espante o mal !
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