A mídia corporativa internacional diz que “ação militar”
dos EUA “capturou” o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Usa uma linguagem
que mascara o que de fato aconteceu: a “ação militar” foi de fato um ataque do
terrorismo de Estado do Tio Sam; e a “captura” foi de fato um sequestro
criminoso.
E quais os motivos alegados para o terrorismo de Estado e o
sequestro? Inventou-se que foram os malefícios que o chamado narcoterrismo
provoca no mundo. Não há dúvida, o narcotráfico é uma das muitas sequelas dos
séculos de capitalismo, que deve ser combatido. Junto com o imperialismo, o colonialismo,
a espoliação, a segregação, os embargos e sanções, a exclusão, a pobreza, a estúpida
concentração de riquezas e as guerras de dominação. Muito pior que o
narcotráfico é o terrorismo de Estado, cuja violência maior foram as bombas de
Hiroshima e Nagasaki, que estarrecem a humanidade até hoje. E que vem se
manifestando em muitas barbaridades cometidas pelo mundo, até mesmo dentro dos
EUA, quando do assassinato do presidente Kennedy, que pretendia retirar o país
da guerra do Vietnã.
Os reais motivos da invasão da Venezuela e do sequestro de
Maduro são outros: o país caribenho detém as maiores reservas de petróleo do
planeta. E Nicolás Maduro insiste em manter a política de seu antecessor Hugo
Chaves, que impôs o controle estatal do ouro negro, e tentou tornar o país
soberano, independente dos interesses das empresas imperialistas. Apesar do
empenho mundial na “transição energética”, que preconiza a substituição dos
combustíveis fósseis, os EUA dependem do suprimento de petróleo para sustentar
seu intento de império hegemônico, e desdenha os esforços internacionais para o
uso de fontes renováveis de energia. Ademais, além do petróleo, a Venezuela
detém jazidas de minerais estratégicos para a indústria de ponta. E é bem
provável que o país do extremo norte da América do Sul seja só o primeiro passo
para agrilhoar todo o continente que os EUA sempre consideraram seu quintal.
Alguma semelhança entre Venezuela e Brasil, que possa nos
trazer preocupação sobre o que o Tio Sam possa estar tramando para nós? Não só
temos petróleo e minérios estratégicos, temos também os maiores mananciais de
água potável do planeta. A água é considerada a substância mais vital no Século
XXI, mais que o petróleo e minerais. Já estamos vivenciando os efeitos da crise
climática, ela vai se aprofundar. O suprimento de água vai se tornar cada vez
mais crítico. E há ainda a imensa biodiversidade do país, que ainda está por nos
revelar todas as suas aplicações na saúde, materiais especiais e processos
orgânicos.
Além dos recursos naturais, o Brasil tem outros predicados:
a extensão continental torna o país estratégico na América do Sul, no Atlântico
Sul, no Hemisfério Sul. O tamanho da população, a relativa uniformidade
cultural, a infraestrutura já implantada credenciam-nos para nos tornarmos uma
grande nação. Isso é uma ameaça para o império, que não deseja a emancipação de
países vistos como eternos fornecedores de matérias primas baratas, que possam
atrapalhar seus planos hegemônicos.
O tarifaço de Trump, as sanções da Lei Magnitsky, o apoio aos
golpistas e às elites entreguistas que defendem Bolsonaro são evidências de que
o Tio Sam está incomodado com o governo Lula e com a prosperidade e o sonho de
soberania e liberdade de nosso país. Talvez tenha no Brasil até mais motivos
para contrariedade do que na Venezuela.
A direita brasileira enaltece o terrorismo de Estado
perpetrado pelos EUA. Ou está lograda pela propaganda enganosa do Tio Sam, ou é
cúmplice dela. O governo Trump declarou, sem meias palavras, que os EUA são o xerife
do mundo atual. Quem acredita que o terrorismo de Estado visa a democracia e a
liberdade é vítima da eficaz guerra cognitiva. O objetivo não é humanizar o
mundo, mas conquistar territórios e recursos naturais. A velha cartilha de
todos os impérios ao longo da História.
Se não soubermos nos contrapor à sanha imperialista e ao
terrorismo de Estado, somos fortes candidatos a ser a próxima Venezuela.
Perfeito. Este texto precisa viralizar.
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