domingo, 4 de janeiro de 2026

Venezuela – o Brasil será o próximo?


A mídia corporativa internacional diz que “ação militar” dos EUA “capturou” o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Usa uma linguagem que mascara o que de fato aconteceu: a “ação militar” foi de fato um ataque do terrorismo de Estado do Tio Sam; e a “captura” foi de fato um sequestro criminoso.

E quais os motivos alegados para o terrorismo de Estado e o sequestro? Inventou-se que foram os malefícios que o chamado narcoterrismo provoca no mundo. Não há dúvida, o narcotráfico é uma das muitas sequelas dos séculos de capitalismo, que deve ser combatido. Junto com o imperialismo, o colonialismo, a espoliação, a segregação, os embargos e sanções, a exclusão, a pobreza, a estúpida concentração de riquezas e as guerras de dominação. Muito pior que o narcotráfico é o terrorismo de Estado, cuja violência maior foram as bombas de Hiroshima e Nagasaki, que estarrecem a humanidade até hoje. E que vem se manifestando em muitas barbaridades cometidas pelo mundo, até mesmo dentro dos EUA, quando do assassinato do presidente Kennedy, que pretendia retirar o país da guerra do Vietnã.

Os reais motivos da invasão da Venezuela e do sequestro de Maduro são outros: o país caribenho detém as maiores reservas de petróleo do planeta. E Nicolás Maduro insiste em manter a política de seu antecessor Hugo Chaves, que impôs o controle estatal do ouro negro, e tentou tornar o país soberano, independente dos interesses das empresas imperialistas. Apesar do empenho mundial na “transição energética”, que preconiza a substituição dos combustíveis fósseis, os EUA dependem do suprimento de petróleo para sustentar seu intento de império hegemônico, e desdenha os esforços internacionais para o uso de fontes renováveis de energia. Ademais, além do petróleo, a Venezuela detém jazidas de minerais estratégicos para a indústria de ponta. E é bem provável que o país do extremo norte da América do Sul seja só o primeiro passo para agrilhoar todo o continente que os EUA sempre consideraram seu quintal.

Alguma semelhança entre Venezuela e Brasil, que possa nos trazer preocupação sobre o que o Tio Sam possa estar tramando para nós? Não só temos petróleo e minérios estratégicos, temos também os maiores mananciais de água potável do planeta. A água é considerada a substância mais vital no Século XXI, mais que o petróleo e minerais. Já estamos vivenciando os efeitos da crise climática, ela vai se aprofundar. O suprimento de água vai se tornar cada vez mais crítico. E há ainda a imensa biodiversidade do país, que ainda está por nos revelar todas as suas aplicações na saúde, materiais especiais e processos orgânicos.

Além dos recursos naturais, o Brasil tem outros predicados: a extensão continental torna o país estratégico na América do Sul, no Atlântico Sul, no Hemisfério Sul. O tamanho da população, a relativa uniformidade cultural, a infraestrutura já implantada credenciam-nos para nos tornarmos uma grande nação. Isso é uma ameaça para o império, que não deseja a emancipação de países vistos como eternos fornecedores de matérias primas baratas, que possam atrapalhar seus planos hegemônicos.

O tarifaço de Trump, as sanções da Lei Magnitsky, o apoio aos golpistas e às elites entreguistas que defendem Bolsonaro são evidências de que o Tio Sam está incomodado com o governo Lula e com a prosperidade e o sonho de soberania e liberdade de nosso país. Talvez tenha no Brasil até mais motivos para contrariedade do que na Venezuela.

A direita brasileira enaltece o terrorismo de Estado perpetrado pelos EUA. Ou está lograda pela propaganda enganosa do Tio Sam, ou é cúmplice dela. O governo Trump declarou, sem meias palavras, que os EUA são o xerife do mundo atual. Quem acredita que o terrorismo de Estado visa a democracia e a liberdade é vítima da eficaz guerra cognitiva. O objetivo não é humanizar o mundo, mas conquistar territórios e recursos naturais. A velha cartilha de todos os impérios ao longo da História.

Se não soubermos nos contrapor à sanha imperialista e ao terrorismo de Estado, somos fortes candidatos a ser a próxima Venezuela.

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