O líder do país dos elfos foi informado que o imperador dos
orcs queria visitá-lo. Surpreso, e mesmo sem entender bem qual a razão daquilo,
prontamente consentiu com a inesperada visita. Elfos e orcs tinham muitas
divergências, quem sabe poderiam tentar apaziguar algumas delas.
Emissários logo acertaram os detalhes do encontro. Um
evento importante, parecia ao mundo que orcs e elfos estariam a discutir um
mando que ultrapassava suas fronteiras. As notícias, alvoroçadas, apregoavam
que eram os dois lados que estariam prestes a dominar e a engolir todas as
raças e culturas do mundo. Os orcs mentiam que os elfos eram ávidos demônios,
que comiam cães; o que diziam os elfos não era do conhecimento dos orcs,
mantidos numa precavida ignorância.
O imperador orc apresentou-se ao líder elfo arrotando sua
habitual truculência e arrogância. Lembrou que vinha do império que tinha os
maiores porretes, e os guerreiros com mais sede de sangue. O elfo lembrou que seu
país era de uma cultura milenar e plural, pacificado com muito sacrifício, que
valorizava a arte, a filosofia, a alteridade e o bem-estar de cada elfo, de
cada vizinho de outro país, desde que fosse de paz. Não disse palavras para
dizer, mas o elfo esperava que o imperador orc visse que eram diferenças agudas.
O país dos orcs tinha só uns poucos séculos de existência, era povoado por
guerreiros que tinham nos seus porretes e em invasões seu principal meio de
vida.
Com o andamento das conversações, logo as razões da visita
foram se revelando: o imperador orc vinha interpelar a nação elfo sobre sua
interferência na recente malsucedida empreitada dos orcs contra a nação dos
anões do norte, esta vizinha do país dos elfos. O orc alegava que os anões
estariam construindo porretes e lanças que ameaçavam o mundo. Tinham que ser
detidos. Um segundo motivo para a visita era o pedido para que os elfos
apoiassem a liberação de rotas usadas pelos orcs e seus vassalos para o
transporte de mercadorias que eram a principal fonte de poder dos orcs. E que serviam
também aos elfos, daí a esperança numa união de ocasião para alcançar a um
interesse comum.
As tratativas logo deixaram o verniz da etiqueta
diplomática, e passaram à contundência do pragmatismo realista. O imperador orc
questionou, embora com alguma cautela, a informação de que os elfos tinham
emprestado seus falcões adestrados aos anões. Dos céus, os anões localizavam as
fortificações dos orcs, e só por isso tinham conseguido vantagens inesperadas. Firme
mas sereno, o líder elfo lembrou que os orcs emprestaram não só suas águias
predadoras, mas também cedeu seus porretes mais poderosos a seus aliados
mediterrâneos na guerra contra os anões.
O encontro parecia destinado ao fracasso, mas ainda havia
pendências pungentes. Veio à tona a questão da ilha do país dos elfos que se
tornara o refúgio de dissidentes. O país dos elfos tolerava-os e negociava, mas
os orcs queriam armá-los para disseminar a guerra. Enquanto condenavam à
asfixia um país insular vizinho do seu, pelo motivo dele resistir render-se à
intenção de se fazer ali cassinos e resorts para diversão de magnatas orcs.
O encontro acabou com o imperador orc com a impressão que o
país elfo seria um empecilho à sua insaciável ânsia de dominar o mundo.
Eu acho que nessa história está um de olho no "anel" do outro!
ResponderExcluirO "anel" significando a riqueza e poder, obviamente...
Excluir