domingo, 17 de maio de 2026

O orc e o elfo

 

O líder do país dos elfos foi informado que o imperador dos orcs queria visitá-lo. Surpreso, e mesmo sem entender bem qual a razão daquilo, prontamente consentiu com a inesperada visita. Elfos e orcs tinham muitas divergências, quem sabe poderiam tentar apaziguar algumas delas.

Emissários logo acertaram os detalhes do encontro. Um evento importante, parecia ao mundo que orcs e elfos estariam a discutir um mando que ultrapassava suas fronteiras. As notícias, alvoroçadas, apregoavam que eram os dois lados que estariam prestes a dominar e a engolir todas as raças e culturas do mundo. Os orcs mentiam que os elfos eram ávidos demônios, que comiam cães; o que diziam os elfos não era do conhecimento dos orcs, mantidos numa precavida ignorância.

O imperador orc apresentou-se ao líder elfo arrotando sua habitual truculência e arrogância. Lembrou que vinha do império que tinha os maiores porretes, e os guerreiros com mais sede de sangue. O elfo lembrou que seu país era de uma cultura milenar e plural, pacificado com muito sacrifício, que valorizava a arte, a filosofia, a alteridade e o bem-estar de cada elfo, de cada vizinho de outro país, desde que fosse de paz. Não disse palavras para dizer, mas o elfo esperava que o imperador orc visse que eram diferenças agudas. O país dos orcs tinha só uns poucos séculos de existência, era povoado por guerreiros que tinham nos seus porretes e em invasões seu principal meio de vida.

Com o andamento das conversações, logo as razões da visita foram se revelando: o imperador orc vinha interpelar a nação elfo sobre sua interferência na recente malsucedida empreitada dos orcs contra a nação dos anões do norte, esta vizinha do país dos elfos. O orc alegava que os anões estariam construindo porretes e lanças que ameaçavam o mundo. Tinham que ser detidos. Um segundo motivo para a visita era o pedido para que os elfos apoiassem a liberação de rotas usadas pelos orcs e seus vassalos para o transporte de mercadorias que eram a principal fonte de poder dos orcs. E que serviam também aos elfos, daí a esperança numa união de ocasião para alcançar a um interesse comum.

As tratativas logo deixaram o verniz da etiqueta diplomática, e passaram à contundência do pragmatismo realista. O imperador orc questionou, embora com alguma cautela, a informação de que os elfos tinham emprestado seus falcões adestrados aos anões. Dos céus, os anões localizavam as fortificações dos orcs, e só por isso tinham conseguido vantagens inesperadas. Firme mas sereno, o líder elfo lembrou que os orcs emprestaram não só suas águias predadoras, mas também cedeu seus porretes mais poderosos a seus aliados mediterrâneos na guerra contra os anões.

O encontro parecia destinado ao fracasso, mas ainda havia pendências pungentes. Veio à tona a questão da ilha do país dos elfos que se tornara o refúgio de dissidentes. O país dos elfos tolerava-os e negociava, mas os orcs queriam armá-los para disseminar a guerra. Enquanto condenavam à asfixia um país insular vizinho do seu, pelo motivo dele resistir render-se à intenção de se fazer ali cassinos e resorts para diversão de magnatas orcs.

O encontro acabou com o imperador orc com a impressão que o país elfo seria um empecilho à sua insaciável ânsia de dominar o mundo.

2 comentários:

  1. Eu acho que nessa história está um de olho no "anel" do outro!

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    1. O "anel" significando a riqueza e poder, obviamente...

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