quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A nova ordem mundial

 Publicado no Jornal da Manhã em 25/10/2025.

O livro “A conspiração Lava Jato – o jogo político que comprometeu o futuro do país” (Editora Contracorrente, 2024), de autoria do jornalista Luís Nassif, esmiúça a nova realidade avassaladora, mas que ainda hesitamos enxergar: o efeito da denominada “nova ordem mundial” no Brasil.

Muito se tem debatido sobre a “nova ordem mundial”, há vários livros a respeito. Para Luís Nassif, a Operação Lava Jato foi o instrumento para submeter o Brasil – um país então com um governo independente e que acabara de descobrir o petróleo do pré-sal – aos ditames do novo arranjo, que já se iniciara mundo afora com as “revoluções coloridas”, como a “primavera árabe” e o “euromaiden” ucraniano. Países com tendências nacionalistas e com o sonho de independência e soberania não podiam escapar ao arranjo que tem a pretensão de ser um império hegemônico. Sobretudo o Brasil, um país continental, com um significado geopolítico estratégico no chamado Sul Global. Desde a arapongagem de governos e governantes, a reativação da 4ª Frota dos EUA, o roubo de computadores com dados sigilosos da Petrobras, o aliciamento dos procuradores e juízes da Lava Jato, as mentiras e demonizações da mídia corporativa, finalizando com os golpes que levaram à eleição de um governo servil, tudo foi minuciosamente planejado e executado para atingir o objetivo: subjugar o Brasil, desiludi-lo do sonho de liberdade, grandeza, soberania e justiça social.

Na “nova ordem mundial” – resultado inevitável de séculos de capitalismo e de décadas de neoliberalismo – o conceito de Estado soberano não é admitido. Ele é substituído pelo interesse das corporações mundiais, que controlam tudo o que há de essencial: alimentos, medicamentos, energia, comunicações, indústria da guerra... As corporações, e os governos já por elas completamente aparelhados, usam qualquer meio para submeter os governos que não aceitem seu domínio: desde as lawfares – as guerras jurídicas das quais a Lava Jato é um exemplo – até os bloqueios, chantagens e taxações econômicos, chegando às guerras de fato, como na Coréia, Vietnã, Somália, Iraque, Líbia, Afeganistão, Líbano, Síria, Ucrânia, Palestina e tantas outras.

Supor que o mercado e as corporações possam equilibrar a sociedade é uma ideia que os sociólogos sensatos dizem ser absurda. É como jogar uma matilha de lobos famintos no pasto de ovelhas e deixar que se virem. Os lobos vão, depois de devoradas as ovelhas, acabar por canibalizar-se a si mesmos e a destruir o pasto.

O livro de Luís Nassif dedica um capítulo inteiro a discutir a psicologia de massas de Freud: é ela, agora com os recursos das tecnologias de comunicação, desinformação e manipulação, que mantém as ovelhas submissas, conformadas com o destino de serem pasto para os lobos. Ou pior, aliando-as aos lobos, na crença que serão poupadas, ou até que poderão virar lobos.

Na “nova ordem mundial” destaca-se a China, e seu espantoso crescimento. Seria ela o símbolo do sucesso do novo arranjo? Ou, ao contrário, mostra que o caminho da independência e soberania alcança sucesso? Pela sua grandeza, história e opções políticas, a China é um caso ainda a ser compreendido. Curiosamente, a mídia ocidental diz que o governo da China é ditatorial. Mas então é uma ditadura que funciona! Pois a qualidade de vida de toda aquela imensa população só melhora! Ou, na China, um Estado forte e soberano está sabendo controlar a sanha insaciável da ambição que é alimentada pelo neoliberalismo e suas corporações? Os chineses aprenderam como fazer os lobos e ovelhas conviverem com respeito e em paz?

O Brasil, um país que reúne predicados para ser uma grande nação, é uma das maiores vítimas da “nova ordem mundial”. Estamos sob ataque.

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