Publicado no Jornal da Manhã em 20/01/2026.
Trump ordena o sequestro do presidente Maduro, diz que quer
“comprar” a Groenlândia, ameaça com tarifas os países europeus que são contra
essa “compra”, diz que o Canadá vai se tornar o 51º estado dos EUA, ameaça o
México de invasões contra o “narcoterrorismo”, afirma que todo o hemisfério
ocidental – a Europa Ocidental e as Américas – são seu território – quer dizer,
seu quintal. Mantém centenas de bases militares em todo o mundo, promove e
participa de guerras, dobra o orçamento de guerra dos EUA, alimentado pelas
tarifas que impõe. Ameaça a América Latina para além da Venezuela, escarnece
dos órgãos e acordos internacionais que procuravam manter alguma harmonia no
mundo. Abusa das bravatas e mentiras, interessa-lhe instaurar o caos. E,
lembremos, Trump foi eleito, e reeleito.
Talvez o último marcante ponto de mutação da humanidade
tenha sido o desenvolvimento da agricultura, há cerca de dez mil anos. Com ela
surgiram as cidades, os estoques de alimentos para o inverno e as crises
climáticas, os ofícios urbanos e as guerras de pilhagem e dominação. Desde
então, a história da humanidade tem sido uma sucessão de ascensão e queda de
impérios à custa de guerras. O que nos revela que o Homo sapiens ainda é mais Homo
demens que sapiens. Ainda não
aprendemos a fazer jus às benesses deste generoso planeta que nos acolhe, e
tudo nos provê. Os sucessivos conflitos dentro da humanidade parecem ter um
papel evolutivo: aprendemos com eles, procuramos evitá-los, a civilização
aperfeiçoa-se. Os últimos grandes conflitos foram há menos de um século, as
grandes guerras do Século XX.
Seria o desvario atual no mundo, do qual Trump talvez seja
o arauto mais espalhafatoso, só mais uma das muitas crises civilizacionais? Na
segunda guerra mundial não foram usadas armas químicas, um aprendizado da
primeira guerra. Mas foram usadas bombas nucleares, não havia nenhuma
experiência, e nenhum acordo que as limitasse. As duas bombas, que destruíram
duas cidades com toda sua população civil, foram o maior ato terrorista da história.
Ele até hoje amedronta todo o mundo. Os arsenais nucleares atuais são capazes
de arrasar o planeta diversas vezes. Além de outras armas cibernéticas
impensáveis pelo homem comum.
Ademais das armas de guerra campal, há uma também
inimaginável tecnologia de desinformação, para as guerras cognitivas que subvertem
as populações a serem dominadas. É o que se vê em todo o mundo, agora
especialmente no Irã. As guerras cognitivas trazem à tona o que há de pior na
natureza humana. Forja-se uma psicosfera global doentia e contagiosa. O
embrutecimento açula ainda mais embrutecimento. A guerra cognitiva tem sabotado
a frágil democracia do Brasil há décadas, especialmente nos últimos quinze
anos.
Arsenais nucleares, armas cibernéticas, guerra cognitiva e aviltamento
da psicosfera fazem a crise atual da civilização inusitada. Da crise arriscamos
chegar a um colapso sem volta. Uma consequência previsível de uma sociedade que
há pelo menos dois séculos e meio aprimorou-se na injustiça e exclusão,
disseminando pobreza e concentrando riqueza. Ela só poderia dar no que vemos
hoje.
Este ponto de mutação civilizacional pode nos conduzir a um
salto evolutivo grandioso: mais lucidez, compreensão e amorosidade, enfim
aprendemos a conviver em paz. Ou pode significar o autoextermínio do Homo sapiens.
Me emocionou, com Amorosidade nos coloca entre a cruz e a espada.
ResponderExcluirQue tristeza pertencer a essa espécie 😢
É , se a humanidade não praticar o que Cristo nos ensinou: amarmos uns aos outros, a humanidade estará com seus dias contados. Oxalá nos ilumine.
ResponderExcluirFui eu que mandei a mensagem
ResponderExcluirMe preocupa e entristece ver que mundo deixamos para as próximas gerações.
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