quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

2026, o ano da decisão

 Publicado no Jornal da Manhã em 19/02/2026.

O carnaval passou, o ano começa de verdade. E que ano! Violações militares e econômicas de uma truculência sem precedentes, falência de organizações mundiais como ONU – Organização das Nações Unidas, OMC – Organização Mundial do Comércio e OMS – Organização Mundial de Saúde, risco de deflagração de guerras latentes na Ásia, Oriente Médio, África, América do Sul, ameaça de confronto pela posse da Groenlândia, crescentes orçamentos de guerra nas potências nucleares, risco de nova pandemia ainda mais mortal que a Covid, manipulação do censo comum pelas big techs e a inteligência artificial, disseminação das ideologias e igrejas hegemônicas, perda do discernimento e massificação da opinião, acirramento das desigualdades, conflitos sociais e insegurança, aquecimento global e colapso climático. O planeta já não suporta a exorbitância da incúria humana. O Homo sapiens está mais para Homo demens.

A humanidade está enferma. De uma daquelas enfermidades da mente e da alma, em que o doente se recusa a reconhecer sua patologia e a se tratar. Distrações como a copa do mundo de futebol, o carnaval, ainda fazem parecer que tudo segue normal. Não nos damos conta que até o esporte e a festa populares estão por demais ideologizados e monetarizados. Já não são expressões espontâneas, autênticas, da cultura do povo, da arte, do espírito de equipe e da competição sadia. São produtos de um mercado antropófago e segregacionista.

No Brasil, 2026 é ainda o ano das eleições. Aparentemente entorpecidos pela febre delirosa que acomete o mundo, em nosso país parecemos não nos dar conta da dimensão da escolha que teremos pela frente. Nem dos interesses maliciosos que já agem, e que vão se aguçar, para insidiosamente influenciar nossas escolhas. Interesses que não são só locais, mas são regiamente financiados por poderes transnacionais que querem que nossas escolhas deixem de ser nossas. Controlam-nos com sofisticadíssima rede de geração e disseminação de desinformação. Ela faz que não saibamos mais distinguir entre mentira e verdade, totalitarismo e democracia, vassalagem e soberania, iniquidade e justiça, fanatismo e religiosidade, barbárie e civilização. Perdemos o discernimento, e com ele perdemos a identidade, o sonho e a esperança. Não sabemos separar o que promove nossa emancipação do que agrava nossa submissão.

Por tudo o que está acontecendo, o ano de 2026 parece ser a definitiva encruzilhada da humanidade: vamos nos decidir se queremos salvar o planeta e a espécie humana, ou se vamos nos render aos renitentes instintos que ainda nos igualam aos animais, cegando-nos a razão e a compaixão.

Mas, se por um lado as crises se agravam, por outro os alertas também crescem. Acentuam-se os apelos para que cada ser humano, na quietude de sua individualidade, junto de sua consciência, decida qual vai ser sua posição nas escolhas que vamos fazer neste crucial 2026. Este é o ano do ponto de mutação da civilização. No Brasil, no mundo todo.

Oxalá façamos a escolha pela evolução da humanidade.

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