Publicado no Jornal da Manhã em 07/11/2026.
Em 1964, data do golpe militar que impôs 21 anos de
retrocesso político, cultural, econômico e civilizacional ao Brasil, a revista
estadunidense Seleções do Reader’s Digest
publicou o artigo intitulado “A nação que
salvou a si mesma”. Ele veio a se tornar um libelo da farsa do neocolonialismo
dos EUA, que alegava proteger o Ocidente do perigo do comunismo. Como ficou
provado depois, o Tio Sam agiu com firmeza nos bastidores para derrubar o
governo eleito de João Goulart, cuja maior ameaça ao Brasil era defender a
reforma agrária, as políticas sociais de proteção aos mais pobres e a soberania
em relação à faina exploradora dos países imperialistas. O título do artigo
colonizador da Seleções seria mais
fiel se fosse algo como “A ditadura que
manteve o Brasil submisso aos EUA”. Não foi a nação que fez o golpe, foi a
atrasada elite oligárquica civil e seu braço militar. E ela não salvou o país,
entregou-o aos ávidos interesses do Tio Sam.
Agora, em 2026, podemos dizer “O povo que salvou a si mesmo”, nas eleições que reelegeram Lula
presidente. Desta vez foi o povo quem decidiu o futuro do país, não as
oligarquias nem a elite entreguista, herdeira da escravatura e da rapinagem das
terras indígenas. Muito apropriadas as palavras da presidenta mexicana Claudia
Sheinbaum: “O povo do Brasil deu uma
lição ao mundo.” Sim, foi o povo quem deu uma lição de esperança, de
lucidez, de humanidade, que ainda permitem distinguir um estadista de um
miliciano, um líder com espírito público de um criminoso atolado em contravenções.
Tudo conspirava contra a vitória de Lula: os processos
criminais contra seu oponente e aliados emperrados nas cortes por influência de
juízes cumpliciados; o fabricado antipetismo e antilulismo; a grande mídia
corporativa sempre dando destaque a factoides contra Lula e próceres, ao mesmo
tempo que omite ou abranda denúncias verdadeiras contra seu oponente e asseclas;
o TSE atuando contra Lula e a favor de seu oponente nas questões eleitorais; as
big techs descaradamente prejudicando
Lula; as manifestações do governo dos EUA contra Lula e a favor do oponente; as
ameaças de patrões ultradireitistas contra funcionários eleitores de Lula; as fraudes
para fazer com que ônibus fossem impedidos de levar eleitores sob acusação de
propaganda indevida; e sabe-se lá mais o quê, lembrando da guerra cognitiva
promovida pelas herdeiras da Cambridge Analytica, sua manipulação de
algoritmos e seu financiamento clandestino por expoentes bilionários mundiais
como Steve Bannon e Elon Musk, declarados inimigos mortais de Lula.
Diante de tudo isso, a vitória do povo brasileiro foi extraordinária.
O povo rejeitou a proposta de um enganoso e desqualificado governo, com
inúmeras deformidades: ligado a milicianos e ao crime organizado, à lavagem de
dinheiro, ao que há de mais funesto no tratamento das políticas sociais, meio
ambiente e cultura, entregue à vassalagem ao imperialismo do Norte que quer
expropriar nossos recursos naturais, como no tempo da colônia. Isso sem falar
na falta de qualidades éticas, se lembrarmos dos muitos casos de violência e
perseguição por questões ideológicas, misoginia, homofobia, xenofobia, escatologia,
negacionismo, narcisismo, entreguismo, sistemáticas mentiras e por aí vai. Tantas
desqualificações estão fazendo o Brasil (e o mundo todo?) regredir ética e
culturalmente.
A extrema direita representa talvez um resultado inevitável
de tantas décadas de neoliberalismo. É um inquestionável retrocesso
civilizatório. Entretanto, a população do Brasil disse um redundante “não”
nestas eleições. Vamos ver o que virá a seguir.
Ao longo dos anos a diireita brasileira foi se deteriorando. Hoje, temos uma extrema-direita, egocêntrica que não tem pautas de justiça social. O resultado foi esse, uma vitória gigante do campo progressista.
ResponderExcluir