terça-feira, 18 de agosto de 2026

Caminhada dominical em Ponta Grossa

 

Depois do evangelho no lar e do passeio com a cachorra pelo bairro, a esposa e eu resolvemos fazer uma caminhada dominical matinal, aproveitando os ares primaveris em Ponta Grossa. Embora o calendário afirme que estamos em pleno inverno, a natureza já está renascendo: as avoantes já têm ovos nos ninhos, a sibipiruna já está plena de brotos, a pitangueira carregou-se de flores visitadas por um enxame de operosas abelhas, os sabiás já estão ensaiando seus sonoros cantos madrugadores, o termômetro marca, de manhã bem cedo, temperatura quase de verão.

Nossa caminhada foi da Vila Estrela, onde moramos, até o Parque Ambiental, bem no centro da cidade. Ao longo do belvedere que é a Rua Jacob Holzmann – o mirante natural de onde se descortinam os Campos Gerais –, fomos constatando que muitos citadinos, como nós, aproveitavam a manhã primaveril: caminhantes, corredores, passeadores de cães, pais com os filhos percorriam as calçadas de onde se desfruta a paisagem do vale do Arroio Olarias e, mais adiante, dos horizontes colinosos da porção leste, onde o sol, a lua, as estrelas levantam-se para saudar a cidade.

Enquanto caminhávamos, outros belos sinais da adiantada primavera foram se revelando: entre eles, os alvos chumaços da paineira bem ao lado da marquise da feira popular, que sob a brisa se desfaziam em uma revoada de flocos brancos esvoaçantes, carregando para longe da árvore as sementes, dispersando os descendentes. Mas além dos encantos, vimos também motivos de apreensão. O piso da calçada utilizada pelos transeuntes com muitas irregularidades, lajotas deslocadas com sobressaltos ou depressões, às vezes ausentes, com buracos. Uma ameaça para os desatentos, que, em busca de saúde, podem encontrar um transtorno ortopédico, de menor ou maior gravidade.

Outro dissabor, as condições da miniarena junto ao Centro Esportivo para Pessoas com Deficiência: inúmeros cacos de vidro de garrafas quebradas, propositalmente espalhados, junto com muito lixo – garrafas pet, sacos plásticos, copos, pratos, embalagens – denotando uma intencional depredação de um espaço público que deveria ser destinado à cultura, livre, franqueado a toda a população. Talvez uma revolta de uma parte dos moradores, que preferiria naquele local um equipamento urbano diferente?

Entrando no Parque Ambiental, topamos com um grupo praticando os graciosos exercícios do Tai-Chi, a milenar arte chinesa para a saúde holística. Suaves e belos movimentos, harmonizados com o ambiente da radiosa manhã e das árvores ao redor.

Mais adiante, notamos os plátanos desfolhados, estes parece que submissos ao inverno ditado pelo calendário. Chamou atenção a quantidade de bolotas, ou glomérulos, que estão prestes a eclodir, quando liberam incontáveis sementes com pelos, para facilitar a disseminação pelo vento. Essas sementes são um potente alergênico, motivo pelo qual na Europa, de onde o plátano é nativo, as árvores são sempre podadas antes da explosão dos glomérulos. Oxalá os responsáveis pela arborização urbana estejam cientes do risco dos plátanos para a saúde pública, e façam a poda preventiva.

Já próximo ao módulo policial, perto da passarela sobre a Av. Dr. Vicente Machado, outro estranhamento: algumas árvores ressequidas, de verde só as ervas-de-passarinho, parasitas responsáveis pela morte da hospedeira. Suas pequenas bagas negras são muito apreciadas pelos pássaros, que propagam esta parasita pelas outras árvores. É preciso eliminar estas plantas logo que elas aparecem – um trabalho a ser feito por bons jardineiros –, para evitar que matem a hospedeira, e para conter a disseminação da parasita. Em compensação, poder-se-ia plantar pitangueiras para os pássaros.

A caminhada matinal dominical revela-nos maravilhas da cidade e seu povo, e também mostra que ainda há muito o que melhorar no cuidado urbano.

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