terça-feira, 10 de dezembro de 2019

... Pátria aRmada, Brasil!

Publicado no Jornal da Manhã em 14/12/2019.

O desgoverno atual elegeu-se fazendo com a mão direita um arremedo de arma de fogo disparando. Antes já fizera exaltação do talvez mais famoso e mais odiento torturador do País, no momento de votar a favor do golpe que depôs o governo democraticamente eleito, e que era pacífico. Seguiram-se declarações explícitas e leis facilitando a posse e o porte de armas, por aqueles que podem comprá-las.
Novas declarações, de que a velocidade máxima nas vias não tem que ser respeitada, as punições contra os que transformam seus veículos em armas e com elas aleijam e matam são relaxadas. Some-se ainda o explícito incitamento à indiscriminada ocupação da Amazônia, resultando em eventos de queimadas recordistas e assassinatos de nativos e seus líderes. Enquanto isso, tenta-se passar outra lei, esta felizmente barrada no legislativo, que usa a enganosa expressão “excludente de ilicitude” para dizer “licença para matar”.
A família do desgoverno tem laços indisfarçáveis com as milícias, que como se sabe resolve na bala e no terror as paradas no mundo do crime que cultiva. O novo partido do desgoverno é o 38, propositalmente o grosso calibre do revolver mais popular entre a bandidagem. Os ministros e filhos do desgoverno, nesse meio tempo, preocupados com as massivas revoltas populares nos vizinhos sul-americanos, ameaçam com a volta do regime de terror perpetrado à força das armas, da tortura e da impunidade, que traumatizou e atrasa o Brasil até hoje.
De um lado incita-se a população a se armar e à violência, de outro se ameaça qualquer revolta com a repressão dos exércitos e da polícia. Isso é demência, de perigosos desequilibrados. O desgoverno é insano, e está empenhado em enlouquecer e encolerizar os demais poderes e líderes do País. E o povo junto. Os brasileiros estão sendo incitados ao ódio de um pelo outro, pelas diferenças de convicção, de religião, do local de nascimento, da cor da pele, da cor da camisa.
Estamos com um desgoverno que quer armar, incendiar e destruir o Brasil. São pessoas doentias, destrutivas. Parece ser esse o intuito dos estrangeiros que apóiam esse desgoverno. O País destruído poderá enfim ter seus imensos recursos, petróleo, minérios, solos agricultáveis, água, Amazônia, o território geoestratégico, apossados pela rapinagem transnacional que nos espreita ávida.
O Brasil enlouqueceu? Não temos mais brasileiros sãos e nacionalistas que percebam a destrutiva insanidade que está sendo cultivada entre nós? Quando o País vai acordar que não são as armas, não é o ódio, não é a violência que vão construir um País próspero e soberano? A prosperidade vai vir com a tolerância, com a compreensão, a paz, a cooperação. Senão vamos nos destruir e dissipar na destruição a energia que temos, sem nada construir nem para nós nem para as gerações futuras.
É hora de dizer não à insanidade. É hora de recuperarmos o que há de civilidade e solidariedade em nossa índole e recuperar a esperança de um país próspero, de paz e alegria.
... Pátria AMADA Brasil!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Cultura enlatada

Publicado no Jornal da Manhã em 30/11/2019.

Outro dia, por acaso, parei num filme que passava num canal fechado na TV. O filme logo me impressionou, pelo realismo dos personagens que se parecem comigo e com pessoas que vejo no dia a dia, pela intensidade de emoções, sentimentos, ações desses personagens. O nome do filme: “Sem amor”. O tema: drama familiar. O diretor: Andrey Zvyagintsev. A nacionalidade: russo. Os mais exaltados já dirão: ─ Comunista! Não, pudera, não me considero comunista. Ainda falta muito de desapego e solidariedade em mim para que possa dizer-me comunista.
O filme surpreendeu-me pelo clima que cria em torno de um tema tão crucial: o amor filial. Deve ter sido uma produção muito barata comparada às superproduções estadunidenses que inundam nossas telas, e que atraem multidões e arrecadam milhões. Por que filmes realistas, baratos, sobre temas humanos essenciais, que aliam arte, reflexão e entretenimento, comumente vindos do Leste Europeu e do Oriente, são tão raros e costumam ser fracassos de bilheteria entre nós?
Ocorreu-me como resposta que vivemos uma civilização da cultura enlatada. Não só no cinema, mas na literatura, na música, no teatro... Para consumo rápido, que nos entorpece mais do que nos encoraja e desperta sentimentos e a reflexão. Uma cultura que não emancipa, ao contrário, submete. Sentir e refletir estão na contramão de uma civilização baseada na necessidade de consumir rápido e insaciavelmente, senão entra em colapso. Não é assim o mundo em que vivemos, em que as fábricas fazem produtos com vida útil programada para que tenhamos que trocá-los logo por outros, senão a produção cai, a fábrica vai à falência? E o mesmo não está se passando com a indústria cultural, que esqueceu o sentido da palavra cultura, que é cultivar a humanidade dentro de nós? Cultura passou a ser um produto como qualquer outro no mundo consumista, precisa ser vendido rápido e em grande quantidade. Mas pressa e quantidade não combinam com o sentido original da palavra cultura.
Neste mundo de consumo que vivemos uma das ciências em que mais se investe e que mais avança é a ciência que estuda o controle, a manipulação do comportamento humano. Somos bombardeados a todo instante por técnicas cada vez mais sofisticadas e eficazes, para pensarmos, desejarmos, comprarmos, agirmos, votarmos exatamente da forma como nossos manipuladores desejam. Ou seja, somos como eles querem, perdemos a identidade de ser pensante e sensível, com singularidades e aspirações intrínsecas. Somos treinados para responder com reflexos condicionados, exatamente como deseja o mercado. Somos consumidores.
O resultado dessa eficaz manipulação revela-se em tudo: nos filmes que assistimos, livros que lemos, músicas que escutamos, compras que fazemos, ideologias que defendemos, governantes que elegemos, ícones que idolatramos ou que amaldiçoamos.
O contrário da cultura enlatada seria a cultura popular, impregnada da autenticidade da realidade da vida de um povo, sua tradição, território, lutas, conquistas, subjetividade, memória. No Brasil, onde a cultura popular ainda consegue sobreviver à terraplanagem da cultura enlatada? Talvez nos rincões da Amazônia, no sertão nordestino?
Não por acaso o filme mais falado e premiado produzido no País nos últimos tempos, o Bacurau, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, aborda justamente o confronto do tradicional com a enlatada farsa no sertão nordestino.
Urge resgatar a cultura autêntica, expressa na cultura tradicional, na cultura popular.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lula Livre é medo da verdade

Publicado no Jornal da Manhã em 13/11/2019.

Encontrou-se um controverso artifício, 6X5 no STF, para soltar Lula. Ele, que alguns consideram o maior estadista do Brasil, deve estar vivendo um sentimento ambíguo: alegre por estar solto, triste por não reconhecerem o que sua prisão significa.
Lula foi solto por uma divergência de entendimento sobre uma jurisprudência e o que reza a Constituição. E o parecer de que ele estava preso indevidamente prevaleceu por pouco. Faz pensar que o erro jurídico era uma questão difícil, passível de equívoco.
Vamos a outra interpretação. Lula foi solto porque nossos vizinhos sul-americanos, Chile, Argentina, Equador, Bolívia, Uruguai, estão dando mostras que a população lá não aprova as mesmas medidas entreguistas que estão sendo implantadas no Brasil, e pode revoltar-se violentamente. E é crescente o temor de que a população do Brasil acorde. Analistas dizem que a revolta explosiva depende de uma gota d’água depois que o copo já está cheio. Essa gota d’água pode ser o aumento na tarifa do transporte público, o aumento no combustível, o arrocho salarial, o desemprego. Mas o que enche o copo d’água até que uma gota baste para fazê-lo transbordar?
No caso do Brasil, muitos eventos têm enchido o copo d’água. A começar pelo injustificado golpe que depôs Dilma. A seguir veio a questionável condenação de Lula, contestada por juristas internacionais de renome, que apontaram falta de provas, facciosidade, atropelamento do processo e motivação política. Depois a posse de Temer que traiu o programa que o elegeu vice-presidente, e entregou o País à sanha transnacional. Depois a eleição de Bolsonaro graças a crimes digitais que nunca foram devidamente apurados. Depois as denúncias do laranjal do PSL que elegeu Bolsonaro. Depois as denúncias do The Intercept Brazil comprovando o facciosismo da Lava Jato. Depois os indícios de envolvimento da família Bolsonaro com milícias e o crime organizado. No meio de tudo isso, as queimadas na Amazônia, as trapalhadas diplomáticas com parceiros comerciais importantes, as declarações cada vez mais frequentes de autoridades nacionais e internacionais de que temos na presidência alguém que não está à altura do cargo.
Tudo isso é mais que suficiente para encher o copo d’água. Soltar Lula talvez dê a falsa impressão de que o copo não está tão cheio. Só impressão. Porque se nos lembrarmos que durante essas trapalhadas todas o desemprego subiu, a concentração de renda aumentou, a miséria cresceu, o crescimento econômico continua pífio, não há investimento, direitos trabalhistas estão sendo radicalmente precarizados, o pré-sal e estatais de energia estão sendo rifados, a Petrobras e grandes empreiteiras brasileiras foram sangradas gravemente, o povo brasileiro está dividido e desorientado, então percebemos que já há água suficiente para transbordar.
Que o Brasil acorde para a verdadeira razão da soltura de Lula: é confundir sobre a verdadeira razão de sua prisão. Que é a sabotagem de um país que ensaiava assumir um protagonismo que não interessa ao poder hegemônico mundial.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A morte do terrorista mais procurado do mundo

Publicado no Jornal da Manhã em 29/10/2019.

Ele era um homem singular. Vinha de uma família até bem sucedida, não se saberia explicar o motivo de acabar se tornando quem se tornou. Dizem que desde bem cedo, embora procurasse aparentar ser um homem de bons modos e de hábitos familiares, não conseguia esconder certa misoginia, homofobia, xenofobia, truculência, desvario e ambição de poder. Mas sabia disfarçar, todas estas tendências ele fazia parecer que eram indignação perante as injustiças que seu povo sofria, perseguido e acossado no mundo inteiro por inimigos mortais.
Com o tempo, ele foi aperfeiçoando essa cisão: aos olhos dos correligionários era um homem fiel ao seu povo, um guerreiro salvador das tradições, ideais e cultura que ameaçavam ser dissolvidos por povos bárbaros e dissolutos que invadiam as fronteiras de seu território sagrado, conquistado a ferro, fogo e sangue; aos olhos dos inimigos, era visto como um adversário cruel, implacável, imprevisível; aos olhos do restante do mundo, ele era a controvérsia personificada, hábil em tramar tais confusões entre facções e interesses, que era difícil, até mesmo para os povos diretamente envolvidos, entender quem era responsável pelas barbaridades que sofriam.
Em seu favor para criar tais confusões ele contava com um eficiente aparato midiático. Ele conseguia transformar em verdade acreditada pela multidão a mentira mais escabrosa, desde que ela fosse de seu interesse. Assim ele conseguia influenciar a queda ou ascensão de governantes, a revolta de populações inteiras, o apoio incondicional de nações que se suporia estarem acima da sordidez das baixas manipulações. Ele fingia ser defensor da ética, da honestidade, da honra, da verdade, da tradição, da cultura, na verdade era um lunático movido pelos interesses mais vis.
Graças a todas essas características, ele era um homem controvertido. Alguns o tinham como um herói, outros como um facínora. O herói era aquele que procurava resguardar a identidade de seu povo. O facínora era aquele que não hesitava em lançar mão de armas mortíferas para destruir cidades, países inteiros, que acabavam destruídos, mas ajoelhados ao poder de suas armas. E quando a submissão dos adversários não fosse pelas armas, ele tinha como alcançá-la por outros meios. Agentes sob suas ordens infiltrados nos povos e nações adversários eram capazes de tudo. De aprisionar, assassinar, enlouquecer, difamar personalidades que lhe fossem contrárias, ou perpetrar ações terroristas, arruinar a economia e tumultuar a ordem social e política. E promovia tais atos não só contra adversários, mas também contra qualquer povo ou nação que pudesse ter utilidade para levar adiante seus planos, fosse por seus recursos naturais, posição estratégica, importância econômica ou política.
Seu desvario encontrava admiradores, imitadores e servis lacaios recrutados em todo o planeta. Ele não se incomodava que jovens idealistas ou maduros oportunistas abandonassem suas famílias, seus países e fossem expor-se em confrontos mortais às vezes sem nem compreender bem a razão de estarem lutando. Morrer pela pátria e, bem entendido, pelos seus insanos mas dissimulados intentos, era a razão maior.
Mas eis que o inesperado acontece. Nosso personagem, o que deveria ser considerado o terrorista mais procurado do mundo, morreu. Não de morte violenta, uma explosão ou uma rajada, como seria de se esperar. Morreu de morte morrida. Um fulminante ataque cardíaco quando num anoitecer, à mesa de trabalho, ele manejava a arma que era a segunda que sabia manejar melhor: a caneta. A primeira era a língua.
Na manhã seguinte as notícias do mundo inteiro anunciavam: morreu do coração o homem que comandava a mais poderosa e beligerante potência do mundo.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

O mea-culpa do PT e o bode expiatório



Impressionante! Até o governador do Maranhão, que é do PCdoB, quando entrevistado foi cobrado pelos jornalistas: ─ Quando é que o PT vai fazer o necessário mea-culpa?
Com certeza é bom que se faça um mea-culpa, uma autoavaliação para tentar compreender como o Brasil chegou à situação em que se encontra no que diz respeito à economia, ao emprego, à segurança, à educação, aos valores republicanos e humanitários, aos cuidados com o meio ambiente, à imagem internacional, à moral do povo. E ao PT, que governou o país por mais de uma década, cabe uma parcela de responsabilidade nesse necessário mea-culpa. Mas, lembremo-nos, na primeira década de governo do PT o Brasil viveu seus melhores momentos dos últimos tempos. A economia ia bem, o povo tinha trabalho e prosperava, o país crescia, era soberano e respeitado internacionalmente.
O que aconteceu então? Foi a corrupção imputada ao partido que travou e fez retroceder o país? Sem dúvida a corrupção é uma doença crônica que tem debilitado o Brasil, mas ela tem existido desde sempre, não foi criada nem aprofundada nos anos do PT. Já nos esquecemos dos colossais escândalos do Banespa em São Paulo, do Banestado no Paraná, da chamada “privataria tucana” em que bancos estatais foram utilizados e falidos para desviar fortunas descomunais resultantes de fraudes na privatização de empresas igualmente estatais.
Cobrar que o PT faça o mea-culpa pela situação do país é um caso típico do bode expiatório que acaba levando a culpa de todos aqueles que se recusam a reconhecê-la em si mesmos. A começar, qual a culpa dos jornalistas, da mídia, que hoje cobra o PT? O jornalismo brasileiro é comprometido com a verdade, é informativo e isento? Ou é manipulador e partidário? E os legisladores, têm legislado em prol do interesse do país, do benefício coletivo? E o judiciário, tem julgado com firmeza e imparcialidade, sua ação tem coibido abusos e violências? O que foi feito de Eduardo Cunha, de Paulo Preto, do Queiroz, dos mandantes do assassinato de Marielle, dos responsáveis por Mariana, Brumadinho, os incêndios na Amazônia? E o povo, que escolhe pelo voto direto os legisladores e os governantes, quais critérios tem utilizado em suas escolhas? E como tem se engajado para fazer com que os eleitos depois permaneçam fiéis a compromissos assumidos mas esquecidos? E os partidos de oposição ao PT, que têm os mesmos vícios, se não piorados, mas que os imputam ao adversário e que deliberadamente minaram o governo Dilma? E o empresariado, que assustado com a ascensão de parcelas significativas da população antes excluída sabotou os investimentos necessários para o crescimento e o emprego? E a nossa soberania, como anda? Não nos damos conta que, agora que somos autossuficientes e exportadores de petróleo, depois das descobertas do pré-sal, os preços dos derivados oscilam no Brasil à mercê de cotações internacionais ao bel prazer do cartel das gigantes do óleo que não relutam em provocar guerras e destruir países na defesa de seus ganhos?
Sim, o Brasil carece de um urgente mea-culpa. Mas se queremos de fato reconhecer erros para repará-los, não podemos começar cometendo o grave erro de transferir a culpa para o bode expiatório PT. Isso só faria perpetuar os erros. Todos temos que nos repensar, repensar o Brasil. Nosso país é por demais grandioso, que imenso fracasso o nosso se o deixarmos malograr.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Decidindo o futuro da nação (uma ficção verossímil de humor)


O maior estatístico do país, bem como o engenheiro mais renomado e o político líder do governo no congresso foram chamados às pressas ao gabinete do presidente. Ele tinha uma questão urgente e embaraçosa que precisava de solução imediata, os assessores mais diretos não estavam conseguindo respondê-la.

Assim que os chamados reuniram-se na sala do palácio com o presidente, este fez os auxiliares se retirarem, só ficaram os quatro homens.

- Senhores, convoquei-os porque o futuro da nação depende de uma decisão que não estamos conseguindo tomar sem a ajuda de especialistas com a as vossas credenciais.

Silêncio, suspense. Todos aguardavam ansiosos, imóveis.

- A questão é a seguinte: quanto é dois mais dois?

O estatístico sacou de seu tablet, calculou por um bom tempo usando fórmulas complicadíssimas, por fim pronunciou-se:

- Excelência, o resultado é 3,9999999999999999999...

O presidente, aparentemente insatisfeito, encarou o engenheiro. Este sacou possante calculadora que trazia ao cinto, e pôs-se também a dedilhá-la. Após algum tempo, respondeu:

- O resultado, levando-se em conta fatores de segurança, certamente situa-se entre três e cinco!

O presidente, ainda insatisfeito, com ares de quem tentava a última chance, encarou então o político. Este pediu para retirar-se por um instante, precisava fazer algumas consultas sigilosas. Logo voltou, aproximou-se do presidente e sussurrou:

- Senhor presidente, qual o número que V. Ex.ª precisa?


"Piada" ouvida de um consultor internacional italiano em 1985. Na ocasião, as profissões dos três convocados eram outras.


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Quanta ignorância!

Publicado no Jornal da Manhã em 19/09/2019.

O desfile de 15 de setembro em comemoração aos 196 anos de Ponta Grossa causou furor entre as velhas oligarquias da cidade, que ainda não se deram conta de que não estamos mais no tempo das sesmarias nem da monarquia. Os velhos oligarcas conservam ideias que parecem voltar aos tempos de fundação da cidade. Escandalizaram-se com a Professora secretária da Educação que desfilou de preto e com frase de Paulo Freire estampada no peito.
Mais uma pérola a dar funesta notoriedade à cidade. A Professora manifestar em público seu repúdio ao governo que trata com desprezo a Educação no país revela coragem e discernimento. Ao homenagear em sua camiseta o brasileiro que é considerado mundialmente um dos maiores educadores dos últimos tempos a Professora revela que se mantém lúcida, não se deixou levar pela onda de imbecilização que varre o país.
Sim, nós seres humanos, infelizmente, ainda nos comportamos como as bestas imbecis das quais somos descendentes. Ainda somos idiotizados por mentiras e fantasias que instigam nossos instintos e reflexos condicionados. Comportamo-nos como cães amestrados. No caso, treinados para discriminar, para odiar, para temer, para não refletir.
Felizmente, e é o que faz a Humanidade progredir ao longo da História, já temos um cérebro capaz de raciocinar, é ele que nos ajuda a superar os instintos de sobrevivência e consanguinidade. A Professora mostrou que ainda há gente, como ela, em que o raciocinar está além do instinto e do reflexo condicionado.
Por outro lado, uma boa parcela da população não logra emergir do pântano dos instintos primitivos, não logra ser capaz de fazer funcionar o neocórtex que a evolução e Deus nos deram. Parecem fazer questão de manter o neocórtex adormecido, ou entorpecido. Não compreendem que a educação emancipa. Não sabem o significado de emancipação. Não conseguem deixar de temer o próximo. Não conseguem deixar de discriminar e de odiar. Não conseguem deixar de ser autoritários, violentos e iníquos. Não alcançam a grandeza do significado das palavras liberdade, igualdade, fraternidade.
São vítimas da falta de uma boa Educação, e assim tornam-se agentes em prol da deseducação, perpetuando sua triste realidade.
Quanta ignorância!
Mas todos somos equipados com o neocórtex, que nos dá capacidade de pensar. A natureza no-lo deu. Basta querer despertá-lo, e utilizá-lo. Vamos lá?