Nesta campanha
eleitoral, temos ouvido muito: não é possível ficarmos só com o radical extremismo
do fascismo versus o extremismo radical do petismo. É preciso uma terceira via,
urgente, pelo bem do Brasil!
Qual é o
conceito de extremismo que está sendo aplicado aqui? Antes de refletirmos sobre
o extremismo das duas alternativas que parecem estar se consolidando como
preferências nas pesquisas eleitorais, vamos nos deter sobre outros
extremismos.
No mundo, fala-se
no extremismo de terroristas que derrubam prédios, explodem bombas em templos e
mercados, atropelam multidões com caminhões desembestados. E que falar de
nações que explodem bombas pulverizando cidades inteiras, com suas escolas,
seus hospitais, seus templos, toda a sua população civil, parte dela engajada
em causas pacifistas e humanitárias? Que falar de nações que com o falso
argumento de repressão a armas de destruição em massa invadem e destroem países
de cultura milenar com a real finalidade de apoderar-se da principal matéria
prima do mundo atual, o petróleo? Que falar de nações que, se não pelo uso das
armas, mas com a manipulação da mídia e com doutrinação ideológica compra mercenários
e sabotadores infiltrados e interferem no destino de outras nações impondo-lhes
governos subservientes ao interesse de lobbies transnacionais em prejuízo das
populações e soberania locais?
No contexto
brasileiro, fala-se de partidos radicais. Os partidos de esquerda seriam, de
acordo com consenso construído pela grande mídia, todos eles radicais. Então
que falar dos partidos fisiológicos, que não têm ideologia, ou têm como única
ideologia o manter-se no poder, custe o que custar à população, às instituições
e ao conceito de ética do país? Que falar dos partidos que adoram o deus
mercado, e em sua idolatria sacrificam o povo simples, as empresas e os
recursos naturais do país, e a soberania nacional?
Sobre as duas
alternativas que estão se consolidando para as próximas eleições: qual o
extremismo do PT? Ou extremismo é confundido com os casos de denúncia de
corrupção, e o querer manter-se no poder? Então neste caso todos os partidos
são igualmente extremistas, nenhum deles escapa das duas acusações. Talvez com
a diferença que o PT disputa o poder no voto. Enquanto outros partidos usam
campanhas midiáticas insidiosas, odiosas, mentirosas, que estigmatizam, enganam
e dividem o país. Ou o extremismo condenável é querer dar oportunidades para o
povo simples? E o candidato intolerante, autoritário, truculento e
armamentista? Qual o seu extremismo? Acho que a este as manifestações do último
sábado dia 29 de setembro no Brasil e no mundo dão já uma boa resposta. Apesar
da grande mídia ter-se bastante esforçado para esconder essas manifestações.
A opinião
sobre o que seja extremismo radical é criada pela grande mídia, que cumpre seu
papel de formadora de consenso utilizando-se das estratégias que são
cientificamente pesquisadas e que já foram reveladas e esmiuçadas por diversos
pensadores, entre eles o filósofo estadunidense Noam Chomski em seu livro “Controle
da mídia – os espetaculares feitos da propaganda” (Graphia Editorial, 2003).
É preciso que
aprendamos a pensar por nós mesmos se não quisermos ser como gado tangido, com
nossas opiniões manipuladas por uma ciência que se especializa em construir
consensos que interessam aos poderosos que dominam o mundo e submetem os países
destinados a serem eternas colônias fornecedoras de matérias primas. É preciso
que nossa opinião fundamente-se no nosso discernimento, e não em conceitos
estranhos e absurdos que nos são inculcados. Como o conceito do que seja
extremismo, que está sendo tão evocado no momento.